Nos meses de outono e inverno, o hábito dos gatos de procurar lugares quentes pode gerar riscos pouco discutidos, mas recorrentes. Um dos comportamentos mais comuns entre felinos em dias frios é se esconder no motor de veículos estacionados, especialmente quando o carro acabou de ser desligado e ainda mantém o calor. A prática é silenciosa e muitas vezes imperceptível aos motoristas, o que coloca em risco tanto os animais quanto os ocupantes do veículo.
Pontos Principais:
Esse comportamento tem explicação no instinto dos gatos. Ao identificar um ambiente seguro, protegido do vento e com temperatura mais elevada, o compartimento do motor acaba se tornando uma espécie de refúgio momentâneo. Apesar de parecer um abrigo eficaz, o local representa perigo imediato no momento em que o carro é ligado. Mesmo com uma inspeção rápida antes de sair, o gato pode passar despercebido, ficando imóvel por medo ou confusão.

Ocorrências em diversas regiões do Brasil mostram que o problema não é isolado. Já houve relatos de felinos que viajaram centenas de quilômetros escondidos no motor, sem serem notados. Além dos riscos físicos aos animais, a presença deles pode causar danos técnicos ao carro, interferir no funcionamento do motor e resultar em acidentes nas vias urbanas ou rodoviárias.
Especialistas explicam que os gatos são atraídos pelo calor residual do motor e pela sensação de segurança que o ambiente oferece. Essa tendência se acentua em áreas abertas, frias ou com pouca movimentação noturna, como estacionamentos externos, regiões turísticas e até mesmo pátios de residências em bairros afastados. Mesmo garagens fechadas, se houver presença de animais nas imediações, não estão livres desse risco.
O silêncio do compartimento e a ausência de atividade humana contribuem para que o gato não seja facilmente percebido. Em muitos casos, o animal entra durante a madrugada e permanece escondido até o momento em que o motorista dá partida no carro pela manhã. O problema é agravado quando os veículos são ligados imediatamente, sem qualquer verificação prévia.
Além do sofrimento dos animais, a consequência pode se estender ao funcionamento do carro. A presença de pelos, garras ou movimentos inesperados pode gerar falhas técnicas, curto-circuitos e superaquecimentos. Há registros de queimaduras graves em animais que foram atingidos por componentes quentes ou em movimento, como a correia dentada ou o alternador. Para os motoristas, isso representa um risco duplo: ético e mecânico.
O hábito de verificar o veículo antes de sair é simples e pode evitar situações graves. O procedimento recomendado envolve bater levemente no capô antes de ligar o carro. Esse ruído costuma ser suficiente para que o animal, se estiver presente, se assuste e fuja. Observar os arredores do carro, especialmente os pneus e a parte inferior, também ajuda a identificar movimentações suspeitas.
Outro cuidado relevante é dar a partida no veículo e aguardar alguns segundos antes de iniciar o trajeto. Esse intervalo pode ser suficiente para que sons vindos do motor alertem sobre a presença de um animal. Em muitos casos, motoristas atentos relatam terem evitado tragédias apenas por notarem pequenos ruídos antes de acelerar.
Em situações em que o gato é encontrado dentro do carro, o ideal é manter a calma. Se for um animal conhecido, deve-se abrir o capô com cuidado e permitir que ele saia espontaneamente. Para gatos desconhecidos, o mais seguro é não tentar o contato direto. Ruídos suaves ou alimentos podem auxiliar na remoção. Se o gato estiver ferido ou preso, o recomendado é procurar imediatamente um veterinário ou ONG de proteção animal.
Embora a responsabilidade recaia também sobre os motoristas, os tutores de animais domésticos têm um papel preventivo importante. Criar espaços quentes e protegidos em casa diminui a necessidade dos gatos buscarem abrigo em carros. Disponibilizar caixas de papelão forradas, cobertores e locais fechados pode fazer diferença significativa nos meses frios.
Em áreas com grande número de gatos de rua, a responsabilidade deve ser compartilhada entre comunidade, ONGs e poder público. Ações de conscientização, campanhas informativas e medidas de adoção podem ajudar a reduzir esses riscos. Clínicas veterinárias e organizações de proteção animal frequentemente realizam ações educativas em estações mais frias, alertando para a importância de cuidar dos animais e proteger também a segurança dos veículos.
Regiões turísticas e rurais também devem adotar medidas semelhantes. Locais como pousadas, chácaras e hospedagens costumam ter maior circulação de animais de rua. Isso exige atenção redobrada ao sair com o veículo, mesmo em trajetos curtos. A prevenção, nesse caso, é uma forma de respeito à vida animal e de responsabilidade social com a comunidade.
A adaptação da rotina dos condutores, especialmente nas estações frias, é fundamental. O comportamento dos gatos não muda, mas os hábitos dos motoristas podem ser ajustados. O risco de acidentes é real, mas pode ser evitado com atitudes simples. A prevenção, nesse caso, é um cuidado diário que salva vidas e reforça a responsabilidade no trânsito.
Fonte: tnonline.