ENEM 2025 destaca mobilidade elétrica como peça-chave da nova transição energética no Brasil

A prova do ENEM 2025 colocou os carros elétricos como símbolo da transição energética brasileira, unindo mobilidade, sustentabilidade e indústria automotiva numa reflexão social urgente.
Publicado em Notícias dia 9/11/2025 por Alan Corrêa

Os carros elétricos chegaram ao ENEM e, de repente, todo mundo quer falar sobre transição energética. Como se a ficha finalmente tivesse caído: o futuro não é mais aquela ideia distante de painéis solares e promessas verdes, é o carro na garagem do vizinho sendo carregado na tomada. O Brasil, que sempre se achou esperto por ter etanol e hidrelétricas, agora encara o espelho e percebe que o jogo mudou — e rápido.

O ENEM 2025 surpreendeu ao trazer os carros elétricos como símbolo da transição energética brasileira, ligando mobilidade e futuro.
O ENEM 2025 surpreendeu ao trazer os carros elétricos como símbolo da transição energética brasileira, ligando mobilidade e futuro.

A prova do ENEM 2025 não foi só sobre energia limpa. Foi sobre como o país ainda patina em transformar discurso em prática. É bonito ver as montadoras prometendo emissões zero, mas tente achar um carregador rápido em uma estrada do interior. A realidade brasileira ainda é uma tomada 220V na parede e um cabo improvisado. Mesmo assim, o tema caiu na prova porque simboliza o dilema nacional: temos potencial, mas faltam coragem e infraestrutura.

O carro elétrico virou o brinquedo preferido da nova elite verde, mas também o espelho das contradições. Enquanto a China despeja modelos acessíveis com tecnologia de ponta, o consumidor brasileiro encara preços que fariam um Corolla parecer popular. Fala-se em transição, mas ela ainda é privilégio. E talvez seja esse o ponto: o ENEM trouxe o tema para lembrar que sustentabilidade também é sobre acesso, não só sobre baterias e kilowatts.

Há algo quase poético em ver um objeto símbolo do consumo — o carro — ser rebatizado como emblema da salvação climática. É uma ironia que Clarkson adoraria. O mesmo motor que nos levou à crise agora tenta nos tirar dela. Só que trocar o combustível não apaga o passado. O Brasil precisa de política industrial, reciclagem de baterias e investimento em pesquisa, não apenas slogans verdes em comerciais de TV.

Os chineses entenderam o jogo: dominaram as baterias, reduziram custos e transformaram o carro elétrico em produto de massa. Enquanto isso, o Ocidente ainda discute se vale a pena abandonar o escapamento. O resultado é previsível: quem chega primeiro dita as regras. No caso do Brasil, ou nos reinventamos como produtores de tecnologia limpa, ou seremos apenas o quintal de quem já fez isso melhor.

A prova do ENEM não quis ensinar engenharia, quis ensinar perspectiva. O carro elétrico não é só sobre motores, é sobre cultura, comportamento e escolhas. Quando um estudante lê uma questão dessas, ele está sendo provocado a pensar em que tipo de país quer viver. Um país que dirige o futuro ou que só o observa pelo retrovisor.

Fonte: Carro.Blog.Br e G1.